A cultura da exaustão: quando estar cansado virou o novo normal
Ultimamente, tenho pensado muito sobre a forma como a nossa rotina tem sido pautada pela correria, pela pressa, pelas demandas que nunca terminam e pela cobrança constante por performance e resultado.
É como se estivéssemos sempre tentando dar conta de mais uma coisa.
Mais uma tarefa.
Mais uma entrega.
Mais uma meta.
Mais uma responsabilidade.
E, falando particularmente sobre mim, tenho percebido o quanto esse ritmo influencia o meu humor, a maneira como respondo às pessoas e, principalmente, o quanto o meu corpo parece guardar toda essa energia.
Às vezes, a gente termina o dia cansado sem saber exatamente de onde veio tanto cansaço.
O corpo sente. A mente sente. Os relacionamentos sentem.
Força e sensibilidade podem coexistir
Eu sou uma pessoa agitada. Às vezes, estressada e impaciente. Sempre fui muito de correr atrás, de fazer acontecer, de começar coisas novas, organizar, construir e buscar meus objetivos com unhas e dentes.
Como dizem por aí, uma leoa.
E eu gosto dessa parte de mim.
Gosto da minha força, da minha capacidade de ir atrás, de não desistir facilmente e de querer construir coisas que façam sentido para mim e para as pessoas que amo.
Mas existe uma outra parte minha que também merece espaço.
Eu sou sensível. Gosto de contemplar pequenas coisas. Uma paisagem bonita, uma comida boa, uma conversa, um gesto de gentileza, um momento de silêncio.
E gosto especialmente do toque.
Do toque respeitoso, acolhedor e terapêutico. Daquele toque que nos faz perceber que, por alguns minutos, estamos verdadeiramente presentes.
Talvez porque eu valorize muito esses pequenos momentos de presença. E, para mim, existe algo de muito especial neles. Uma espécie de caridade, gentileza e cuidado que me aproxima daquilo que acredito e da presença de Deus.
Como nasceu a Toque Sereno
Foi no meio dessas reflexões que comecei a olhar para a minha própria trajetória de uma maneira diferente.
As pessoas que me conhecem de perto sabem o quanto eu gostava do meu trabalho. Eu gostava de começar coisas novas, estruturar, organizar, criar e construir.
Mas decidi abrir um novo capítulo na minha carreira.
E foi assim que nasceu a Toque Sereno.
A Toque Sereno nasceu de um desejo genuíno de levar para outras pessoas um pouco dessa contemplação que eu valorizo tanto.
Um momento para desacelerar.
Um momento para respirar.
Um momento para perceber o próprio corpo.
Um momento para, talvez, reorganizar um pouco a mente antes de voltar para uma vida que continuará sendo dinâmica.
O problema talvez não esteja em correr
Porque a verdade é que a vida não vai parar.
Nós continuaremos tendo responsabilidades. Continuaremos trabalhando, cuidando dos nossos filhos, da nossa família, dos nossos projetos e dos nossos sonhos.
E tudo bem.
Quem quer construir alguma coisa precisa correr atrás. Quem quer oferecer algo melhor para a própria família precisa se movimentar. Grandes conquistas exigem esforço.
O problema talvez não esteja em correr.
Talvez esteja em nunca parar.
Precisamos ter maturidade e coragem para reconhecer que, de vez em quando, o corpo que nos sustenta precisa ser cuidado.
Não porque somos fracos.
Mas justamente porque queremos continuar fortes.
Quando as telas aumentam a cobrança
Vivemos também em um mundo que nos cobra o tempo inteiro, especialmente através das telas.
A todo momento existe alguém produzindo mais, conquistando mais, viajando mais, trabalhando mais, treinando mais, vivendo uma vida aparentemente perfeita.
E, sem perceber, começamos a comparar a nossa realidade com recortes da realidade de outras pessoas.
Como se estivéssemos sempre atrasados.
Como se descansar fosse perder tempo.
Como se parar significasse ficar para trás.
Mas ninguém vive a nossa realidade.
Ninguém conhece exatamente o peso das nossas responsabilidades, os nossos medos, os nossos sonhos ou aquilo que carregamos silenciosamente todos os dias.
Por isso, talvez seja necessário começar a olhar para nós mesmos com um pouco mais de gentileza.
Uma pausa antes da exaustão
Cuidar do corpo não deveria ser algo que fazemos somente quando ele finalmente nos obriga a parar.
O cuidado também pode ser uma escolha.
Uma pausa antes da exaustão.
Um momento de presença antes do limite.
Um espaço para respirar antes de continuar.
Foi com essa intenção que nasceu a Toque Sereno.
Não para propor uma vida sem pressa, porque essa não é a realidade da maioria de nós.
Mas para criar pequenos momentos de pausa dentro dela.
Porque talvez a vida continue exigindo que sejamos fortes, determinados e corajosos.
Mas isso não significa que precisamos estar em guerra com o nosso próprio corpo.
E é esse novo capítulo que eu quero construir.
Ao lado de pessoas que também sentem que precisam de um pouco mais de pausa, presença e cuidado.
Um convite para respirar
Se você chegou até aqui, talvez esse texto tenha encontrado alguma coisa em você.
Talvez você também esteja cansado.
Talvez esteja apenas precisando respirar.
Ou talvez esteja percebendo, assim como eu, que cuidar de si não precisa ser o último item da lista.
A vida vai continuar.
Então, que a gente aprenda também a cuidar de quem precisa continuar vivendo tudo isso: nós mesmos.